Gás natural

  1. O gás natural

Formado por uma mistura de hidrocarbonetos leves, o gás natural é mais limpo (menos poluente), económico, eficiente e seguro do que as outras fontes de energia fóssil:

  • emite menor quantidade de gases de efeito de estufa (GEE) – ao ser queimado emite menor quantidade de GEE, comparativamente com outros combustíveis fósseis, resultando assim num menor impacto no meio ambiente;
  • reduz a poluição do ar – é transportado através de condutas ou redes instaladas no subsolo, reduzindo as emissões de GEE no transporte (ex.: em camiões) e consequentemente a poluição do ar;
  • evita o uso de outros combustíveis poluentes – substitui o uso de outros tipos de combustíveis mais poluentes como o carvão e o petróleo (gasóleos e gasolinas);
  • alternativa energética – é considerado a alternativa energética atual, pois é a mais ecologicamente viável, de que dispomos, entre as energias fósseis, numa escala compatível com as elevadas necessidades energéticas da Humanidade a nível global.

 

  1. Vantagens do gás natural
  • Ecológico – O gás natural é a fonte de energia mais limpa e ecológica no universo das energias fósseis/convencionais, contribuindo para a redução dos GEE e para uma melhoria da qualidade do ar, quando substitui outras fontes de energia mais poluentes. Os produtos resultantes da sua queima são inodoros, isentos de óxido de enxofre e de partículas de fuligem.
  • Eficiente – Pelo facto de não sofrer transformações e de as perdas no seu transporte serem mínimas, chegando ao local de utilização praticamente na forma em que é encontrado na natureza, é mais eficiente que a maioria das outras fontes de energia.
    A chama azul produzida pelo gás natural é forte e constante, permitindo cozinhar com maior eficiência e em menos tempo.
    O fornecimento de gás natural é constante, pois o sistema é permanente e não está sujeito a quebras.
  • Seguro – O facto de o gás natural ser mais leve do que o ar faz com que, em caso de fuga, se dissipe rapidamente na atmosfera.
    A distribuição do gás natural é feita através de redes construídas com o máximo rigor e com as tecnologias mais avançadas: chega aos locais de consumo através de condutas, o que evita o armazenamento e elimina o uso de botijas e os riscos inerentes à utilização destas.
    Sendo um gás inodoro, o gás natural é misturado com um produto (tetrahidrotiofeno) que lhe introduz um cheiro próprio para que seja facilmente detetada a sua presença em caso de fuga nas canalizações.
  • Económico – O preço do gás natural é competitivo quando comparado com as demais formas finais de energia, tais como os gases de petróleo liquefeitos (canalizados ou de garrafa), reduzindo significativamente os custos energéticos mensais.
    O gás natural permite prolongar a vida útil dos equipamentos, apresentando uma baixa emissão de gases ácidos e compostos de enxofre, que os corroem.

 

  1. Shale gas

“Shale gas” ou “Gás de xisto” é a definição dada ao gás natural desenvolvido em aglomerados de xisto a partir da deposição de matéria orgânica ao longo de milhões de anos.

Insere-se na “classe” dos recursos não convencionais mas, tal como o gás natural convencional, é composto predominantemente por metano (CH4).

A sua extração/produção exige a utilização de técnicas específicas e especializadas, designadamente o “fracionamento hidráulico”.

O “shale gas” é atualmente o gás não convencional mais conhecido devido à designada “shale revolution” ocorrida nos EUA, onde a produção total nacional aumentou drasticamente: de cerca de 1% em 1990 para 20% em 2009. A Agência Internacional de Energia estima que este número possa crescer acima dos 70% em 2035.

A existência e o potencial de reservas de gases “não convencionais”, como o “shale gas”, eram conhecidos há muitos anos mas só no final do século XX, com os desenvolvimentos tecnológicos entretanto ocorridos, foi possível iniciar a sua produção em larga escala de forma economicamente viável.

Por outro lado, a conjugação de uma série de fatores característicos da realidade americana potenciaram e estiveram na origem do desenvolvimento intensivo do “shale gas”:

  • o direito à exploração mineira do subsolo pertence aos donos dos terrenos;
  • fortes incentivos legais (1980) à inovação e ao desenvolvimento de atividades de exploração de petróleo e gás natural como parte do objetivo de tornar os EUA autossuficientes do ponto de vista energético;
  • elevado número de pequenos produtores independentes, os wild-catters, muito ágeis e versáteis.

O que são recursos energéticos não convencionais?

Os recursos não convencionais são hidrocarbonetos (petróleo e gás) que se encontram em condições que não permitem o movimento do fluido, por se encontrarem presos em rochas pouco permeáveis, ou por se tratar de petróleos com uma viscosidade muito elevada.

A sua extração requer o emprego de tecnologia especial, pelas propriedades do próprio hidrocarboneto e pelas características da rocha que o contém.

Atualmente representam uma interessante fonte de recursos, uma vez que muitos deles se encontram em jazidas que se consideravam esgotadas, calculando-se que existem em grandes volumes.

 

  1. Gás natural como energia renovável: biogás

Idealmente, a digestão anaeróbia leva à biodegradação total dos resíduos orgânicos, produzindo metano (CH4), dióxido de carbono (CO2) e vestígios de outros gases. A esta mistura dá-se o nome de Biogás. A seguinte tabela apresenta a composição típica do biogás:

 

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O biogás, devido ao seu alto conteúdo de metano, pode ter um poder calorífico um pouco superior a metade do poder calorífico do gás natural, dependendo assim da composição de metano presente, podendo variar entre 5000 – 6000 kcal/m3. Se o biogás contiver 60% de metano, o seu poder calorífico é de 5,500 kcal/m3 (6,4 kWh/Nm3).

O biogás pode ser utilizado como eletricidade e biocombustível para diversos fins, incluindo transporte. Pode ser utilizado para produção de energia calorífica ou térmica e para cozinhar, por exemplo em comunidades rurais. Todas estas utilizações permitem a produção do biogás a partir de resíduos.

O biometano resulta do upgrade do biogás, isto é, remoção de CO2 e outros contaminantes, aumentando significativamente o seu poder calorífico.

 

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upgrade:

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As características do biometano são muito próximas das do gás natural, sendo que este biocombustível pode ser integrado na rede de gás natural ou utilizado como biocombustível veicular.

 

  1. Utilização do gás natural

Produto com uma amplitude de aplicações muito vasta, desde a produção de eletricidade, calor ou frio até à utilização nos transportes.

Em casa, o gás natural pode ser utilizado para cozinhar, lavar e secar, na obtenção de água quente, aquecimento e climatização. O gás natural oferece economia com equipamentos modulares que podem adaptar-se a grande parte das necessidades existentes.

  • Os fogões a gás natural, por exemplo, vêm equipados com sistemas que cortam a passagem de gás se a chama se apaga.
  • Os fornos a gás natural são programáveis, dispõem de autolimpeza e acendimento automático. O vapor de água da combustão do gás permite, nestes fornos, que os alimentos não fiquem ressequidos.
  • Os esquentadores a gás natural produzem água quente de imediato, funcionando somente quando é necessário, o que permite uma economia máxima de energia. Os acumuladores armazenam água quente para quando há necessidade, em vários pontos e em grande quantidade.
  • As caldeiras de elevado rendimento são reguláveis e programáveis, aquecendo a água que circula em circuito fechado nos radiadores ou convetores que compõem o sistema, proporcionando assim o conforto necessário a qualquer momento e não consomem ar do interior da habitação.
  • Por outro lado, há ainda máquinas de lavar louça e roupa a gás natural, que usam água aquecida por caldeira ou esquentadores, conseguindo substancial economia de tempo e dinheiro.

 

  1. Gás natural auto (ou gás natural veicular)

O setor do transporte representa cerca de 28% do consumo mundial de energia, existindo uma dependência excessiva do petróleo (cerca de 93,5%).

O gás natural auto (GNA) é o nome genérico do gás natural utilizado como combustível de veículos. Dependendo do tipo de veículo e da intensidade do consumo de energia, o gás natural é armazenado na forma de gás comprimido (GNC) ou em alternativa, em modo líquido (GNL).

Diferencia-se do gás de petróleo liquefeito (GPL) por ser constituído por hidrocarbonetos na faixa do metano e do etano, enquanto o GPL possui na sua formação hidrocarbonetos na faixa do propano e do butano. O GNA trabalha com uma pressão de 220 bar, enquanto o GPL o faz a somente 8 bar.

A utilização de GNA conduz a uma redução dos impactos ambientais, contribuindo para uma melhoria da qualidade do ar, já que substituindo os combustíveis derivados do petróleo convencionais (gasolina e gasóleo), devido à sua composição química, emite menos poluentes atmosféricos na sua combustão: SOx (óxidos de enxofre); NOx (óxidos de azoto) e partículas.

Potencia, também no que diz respeito às emissões de gases com efeito de estufa, uma redução significativa: a combustão de gás natural produz, por exemplo, menores quantidades de CO2 relativamente ao gasóleo e gasolina.

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