Consumo responsável e economia circular

A necessidade de adaptação como consequência das alterações climáticas deve ser assumida nos diferentes níveis e setores da sociedade, para que possa ser abrangente e eficiente. No entanto deve ser, acima de tudo, posta em prática.

O consumo consciente é uma forma ativa de poupança de recursos: é fundamental para um desenvolvimento sustentado não gastar mais do que o estritamente necessário no nosso dia a dia, para minimizar os desperdícios e, consequentemente, a produção de resíduos. Este comportamento responsável permite às gerações futuras um património ecológico que podem e devem continuar a preservar.

 

  1. Economia circular

A economia mundial tem sido construída com base num modelo linear de negócios, que agora está sob ameaça por causa da disponibilidade limitada de recursos naturais.

A velocidade com que usamos os recursos naturais pode ser insustentável. São consumidos mais recursos do que o planeta consegue produzir, numa economia tendencialmente linear: as matérias-primas são extraídas, ocorre o seu processamento em produtos, que são vendidos e, após a sua utilização, são descartados como resíduos. Até determinado momento, este foi um modelo bem-sucedido, uma vez que forneceu produtos em larga escala, a um custo cada vez mais baixo, com cadeias de abastecimento globais suportadas por novas tecnologias de produção, favorecendo as economias desenvolvidas.

Em dezembro de 2012, a Comissão Europeia publicou um documento intitulado “Manifesto para uma Europa Eficiente de Recursos”, no qual se refere claramente “… num mundo com crescentes pressões sobre os recursos e o ambiente, a UE não tem escolha a não ser ir para a transição para uma economia circular eficiente dos recursos e, finalmente, regenerativa.”

Neste propósito, a transição de um modelo linear de produção de bens (extração de matéria-prima, produção, uso e descarte dos produtos) para um modelo circular, onde os materiais são devolvidos ao ciclo produtivo através da reutilização, recuperação e reciclagem, mais do que uma necessidade deve constituir uma bandeira para o nosso futuro!

Numa economia circular, o valor dos produtos e materiais é mantido durante o maior tempo possível; a produção de resíduos e a utilização de recursos reduzem-se ao mínimo e, quando os produtos atingem o final da sua vida útil, os recursos mantêm-se na economia para serem reutilizados e voltarem a gerar valor. Este modelo pode criar postos de trabalho seguros na Europa, promover inovações que tragam vantagem concorrencial e propiciar um nível de proteção dos seres humanos e do ambiente de que a Europa se orgulhe. Poderá igualmente fornecer aos consumidores produtos mais duradouros e inovadores que proporcionem poupanças monetárias e melhor qualidade de vida.

A EDP iniciou em 2015 um projeto de economia circular, em que todas as atividades principais da organização com impacto/peso foram avaliadas e contabilizadas, fundamentando uma gestão responsável e sustentável que se espera numa empresa líder. 

 

  1. A energia e a sociedade atual

Sempre que tomamos banho, cozinhamos, ligamos o aquecimento ou o ar condicionado, estamos a utilizar energia.

A energia é muito importante para nós…

  • A energia é vida: a energia – que pode ter a forma de calor, movimento, luz – converte-se, alimentando as mais diversas ações que impulsionam a vida;
  • A energia é fundamental: o acesso à energia é fundamental para o desenvolvimento das sociedades.

 

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  1. A energia no mundo
  • Dependência das energias fósseis – Atualmente, a satisfação das necessidades energéticas do mundo assenta sobretudo na exploração das fontes fósseis;
  • Esgotamento das reservas – As necessidades energéticas mundiais têm vindo a aumentar, ao passo que as reservas de fontes não-renováveis diminuem a um ritmo acelerado, constituindo um problema para a sociedade atual. Só os EUA consomem, por ano, um quarto de toda a energia produzida no mundo; o Canadá detém o consumo per capita mais elevado.
  • Economias emergentes – As potências económicas emergentes, como a China, Índia ou o Brasil, apresentam crescimento exponencial no consumo de energia sendo os dois primeiros países grandes consumidores de carvão.
  • Instabilidade dos preços – A instabilidade dos preços do petróleo teve duas reações opostas: os países mais desenvolvidos apostaram na promoção das energias renováveis enquanto outros apostaram novamente no carvão (como já foi referido, é a forma de energia mais poluente).

 

  1. A energia em Portugal

Portugal é fortemente dependente de recursos energéticos exógenos, maioritariamente de origem fóssil. De toda a energia primária utilizada, cerca de 60% é desaproveitada. Isto acontece não só pelas elevadas perdas que as centrais térmicas comportam no processo de produção de eletricidade, mas também por aspetos estruturais (como o fraco isolamento dos edifícios) ou comportamentais (como a utilização desajustada dos vetores energéticos – por exemplo eletricidade para fins de calor – ou a utilização de sistemas e equipamentos pouco eficientes).

Energias maioritariamente importadas – Apenas 15% da energia utilizada em Portugal tem origem nos recursos do país, tornando-o num dos países mais dependentes da utilização de energias importadas.

Utilização pouco eficiente da energia – Adicionalmente, a utilização pouco eficiente da energia traduz-se em ameaças preocupantes para o país, dos pontos de vista económico, social ou ambiental.

É primordial a implementação de medidas de eficiência energética, para que se reduza não só a dependência energética como também as emissões de CO2. A redução da dependência energética não implica diminuição das condições de conforto, mas sim o seu uso racional (fazer o mesmo com menos!).

 

  1. Eficiência energética
  1. O que fazer para melhorar?

Alterar a nossa atitude.

A eficiência energética e o uso racional da energia são as soluções para equilibrar o modelo de utilização existente e para combater as alterações climáticas.

Mas, para isso, precisamos de alterar a nossa atitude em relação à utilização de energia, refletindo-a nos gestos do dia a dia.

10 ideias para um consumo responsável

  • Desligar as luzes e os equipamentos que não estão a ser utilizados;
  • Comprar equipamentos com etiqueta energética A ou A+;
  • Procurar utilizar o gás natural em substituição da eletricidade ou do gás de botija (para aquecimento águas e ambiente);
  • Não deixar os eletrodomésticos em stand by;
  • Separar os resíduos e depositá-los no ecoponto;
  • Evitar desperdícios de gás e de água utilizando corretamente as torneiras misturadoras monocomando: antes de abrir a torneira, puxá-la para a posição de fria ou quente, consoante o que se pretende; para obter água temperada, começar por abrir a torneira totalmente na posição de quente e regular gradualmente a torneira até à temperatura desejada;
  • Regular os equipamentos de aquecimento ambiente para uma temperatura de, aproximadamente, o dobro da temperatura de utilização desejada (idealmente entre 18 a 20.º C). Desta forma, poderá manter-se um nível de conforto agradável com um menor tempo de funcionamento dos equipamentos, evitando-se perdas energéticas;
  • Nos fogões e placas a gás utilizar sempre recipientes com uma base de diâmetro superior ao do disco.
  • Utilizar as máquinas de lavar roupa e louça com a carga completa e programas de baixa temperatura.
  • Usar o sol para aquecer a água (painéis solares) e completar o aquecimento com gás natural, quando necessário.

Sabias que…

. Lâmpadas – As lâmpadas incandescentes clássicas são mais baratas, mas apresentam uma eficiência muito reduzida. Por outro lado, as lâmpadas fluorescentes compactas, conhecidas por economizadoras, são uma melhor opção, pois dão a mesma luz, mas gastam menos 80% de energia e duram mais tempo.

. Aquecimento – Cerca de 60% da energia dos sistemas de aquecimento é perdida pois escapa por zonas que podem ser facilmente isoladas.

. Resíduos – Por cada tonelada de vidro reciclada, poupamos 1.200 kg de matérias-primas e 130 kg de combustível.

. Automóvel – Quando te deslocares de carro lembra aos teus pais que a utilização de ar condicionado representa um acréscimo significativo no consumo de combustível.
Conduzir com uma velocidade moderada e antecipar as travagens permite poupança de combustível.

 

  1. Para pensares…

2.1 Consumo elétrico

O consumo elétrico numa casa reparte-se da seguinte forma:

. 32% equipamentos de frio

. 22% climatização e águas quentes e sanitárias

. 12% iluminação

. 11% equipamentos de multimédia

. 7% tratamento de roupa

. 1% fornos

. 3% máquinas da louça

. 12% outros

2.2 Edifícios

Em Portugal, o setor dos edifícios é o que utiliza mais energia.

2.3 Transportes

Segundo a Comissão Europeia, o setor dos transportes é o que mais contribui para as emissões de CO2 na UE.

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